Que avaliação você faz do seu primeiro mandato como Vereador?
Gleiser Boroni - Procurei, em todas as minhas decisões políticas, sempre colocar o interesse público em primeiro lugar. Todos sabem que fui eleito na coligação partidária oposta à da Prefeita Marisa Xavier, mas em dezembro de 2000 fui procurado por ela, que me convidou para trabalharmos juntos pelo bem do interesse público municipal. Nesse sentido, tive total apoio do executivo em muitos projetos inovadores para a nossa cidade, principalmente naqueles na área de geração de emprego e renda.
Com base nessa experiência, qual é a sua visão do verdadeiro papel de Vereador?
Gleiser Boroni – A Câmara Municipal de Ouro Preto, na legislatura 2001-2004, resgatou uma das funções mais importantes dos Vereadores, que é realmente legislar, ou seja, elaborar leis que traduzam o interesse público local. Essa afirmação pode ser comprovada por dados estatísticos, a partir de uma análise dos arquivos do Poder Legislativo local. Tenho consciência de que contribuí efetivamente para esses índices positivos. E mais, tive a satisfação de conseguir a efetiva implementação na prática de diversos projetos de minha autoria, que realmente deixaram de ser letra morta, ou melhor, benefícios que só existiam no papel para efetivamente mudar a realidade do nosso povo.
Você foi um dos políticos de Ouro Preto que mais apareceu na mídia nesta legislatura, seja por realizações ou contratempos. Houve um desgaste de sua imagem? Como você acha que a população avalia sua atuação?
Gleiser Boroni – Ao escolher a política, fiz uma opção de vida. Graças a Deus e aos meus pais, tive a oportunidade de concluir o curso superior de Direito, abrir uma microempresa, o Pouso dos Viajantes (inaugurado em 1997), e realizar meu grande sonho de ingressar na carreira pública. Então, por ser, além de Vereador, advogado e empresário, meus opositores tentam denegrir a minha imagem ao cobrar em minha vida pública méritos que alcancei em minha vida privada, tentando confundir a cabeça da população. Por outro lado, a experiência da iniciativa privada facilitou a implementação e concretização de muitos projetos de minha autoria. Conceitos como parceria, determinação, perseverança e humildade norteiam minha conduta, e procuro sempre divulgar minhas ações através dos veículos de comunicação, para que ocorra a avaliação do povo. Acredito que meus projetos vêm sendo reconhecidos pelos ouro-pretanos.
A maioria da população confunde a função de Vereador com a de prefeito. Como não decepcionar essa maioria, sem deixar de lado os deveres da Câmara?
Gleiser Boroni – Entendo que o povo, em primeiro lugar, quer atenção, ser ouvido. Uma das minhas primeiras ações, logo que tomei posse, foi montar um escritório político-parlamentar para criar um canal de comunicação direto entre mim e a população, pois, muitas vezes, quando estamos na Câmara, não temos tempo para atender com a devida atenção a cada cidadão individualmente, pois as tarefas que temos nas comissões permanentes e especiais, bem como as reuniões ordinárias e extraordinárias, ocupam nosso tempo. Desse modo, procuro sempre ser sincero ao me deparar com alguma reivindicação popular. Quando se trata de algo que está ao meu alcance ou que posso interceder junto ao executivo municipal, com certeza dedico todo o meu empenho pessoal. Por outro lado, também tenho a dignidade de esclarecer ao povo algum pedido que não está ao meu alcance. Não adio nem engano uma situação, pois a pior coisa é você dizer “vou ver” ou “vou olhar” e criar falsas expectativas nas pessoas, não dando retorno à demanda. Por reconhecer a minha limitação diante de uma reivindicação que não se encontra ao meu alcance, já pude ganhar a simpatia de alguns cidadãos pela minha sinceridade.
Cobranças e estresse fazem parte da vida de um representante do povo. Você poderia estar vivendo outra realidade. Com base nisso, vale a pena ser Vereador?
Gleiser Boroni – Quando me interessei em ingressar na vida pública, em 1995, tive que esclarecer a muita gente o que levava um “filhinho de papai”, como alguns me consideravam, a querer representar o povo ouro-pretano. Sempre deixei claro que tenho consciência de que fui uma pessoa que tive oportunidades e soube aproveitá-las. Partindo dessa premissa, acredito que recebi uma missão nessa vida, que é servir ao próximo. Se eu tivesse me dedicado à vida capitalista, chegaria a um ponto que, por mais que eu ganhasse dinheiro, a minha satisfação pessoal não aumentaria, pelo contrário, acabaria me tornando refém do capital. O que me fascina não é ganhar dinheiro, adquirir bens materiais, e sim ajudar às pessoas. Nunca me corrompi, nem me vendi para alcançar algo. Separo a minha vida pública da privada. Dessa vida não levaremos nada para o outro mundo. Se fazemos algo errado que não vem a ser descoberto, nem por isso deixaremos de ser julgados, quem sabe, por um tribunal divino. O estresse, muitas vezes, é fruto da centralização de funções, atribuições e até mesmo de poder. Possuo hoje uma assessoria político-parlamentar bem ampla, que consiste em secretária, motorista, assessor jurídico, estagiário, dentre outros colaboradores, o que contribui para o desempenho do meu trabalho enquanto legislador. Concluo dizendo que, apesar de todos os desgastes e dificuldades da vida de um Vereador, penso em um dia servir a Ouro Preto, quem sabe, na Assembléia Legislativa de Minas ou até mesmo no Congresso Nacional.